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Somos o povo mais empreendedor do mundo


Nos últimos dois dias - como pode ser lido aqui e aqui - fui surpreendido por notícias de que o Brasil ocupava pela primeira vez a posição de número um no ranking mundial de empreendedorismo com 34% de atividade empreendedora em sua população (à frente da China com 26,7% e dos EUA com 20%) Isso significa que para cada dez brasileiros, cerca de três possuem um negócio próprio ou estão em vias de desenvolvimento.

De forma paralela, o empreendedor por necessidade (aquele que abre um negócio por desemprego ou necessidade) vem diminuindo, enquanto que o empreendedor por oportunidade (aquele que abre um negócio em virtude uma oportunidade encontrada no mercado) tem aumentando.

Os dois aumentos, tanto da taxa de atividade empreendedora quanto do tipo de empreendedorismo praticado, são excelentes notícias. O empreendedorismo, motor das grandes economias e das nações mais fortes do mundo, tem crescido no Brasil não só quantitativamente, como também qualitativamente.

É realmente de se espantar – e se exaltar!

E não é somente em virtude de aspectos internos, como perfil do empreendedor brasileiro, que devemos nos espantar; não. Por exemplo, sabe-se que o terceiro maior sonho do Brasileiro é ter o próprio negócio.

Temos que nos espantar com esse crescimento da taxa de empreendedorismo quando levamos em consideração os aspectos externos, ou seja, o ambiente em que vive o empreendedor brasileiro.

Mesmo com as modificações realizadas nos últimos anos, o ambiente de negócios brasileiro ainda é péssimo (ironicamente, um dos piores do mundo).

O empreendedor brasileiro precisa enfrentar um emaranhado tributário e desembolsar cerca de um terço de suas receitas para o Estado. Não possui contrapartida quase alguma, muito pelo contrário. Também encara uma lei trabalhista rigorosa que privilegia o trabalhador, inviabilizando o emprego mais vasto de mão de obra. A mão de obra brasileira, aliás, é pouco produtiva e com déficit em diversas áreas. Além disso, a gasolina, a energia e as estradas multiplicam os valores dos bens vendidos e/ou serviços prestados pelos negócios estabelecidos.

Tem também a violência e os gastos com segurança privada que oneram - e muito - o negócio. Por fim, devemos nos lembrar que alvarás, patentes e licenças são concedidas depois de longas guerras burocráticas que consomem os recursos mais preciosos de um empreendedor: tempo e dinheiro.

Eu poderia continuar discorrendo durante algumas páginas sobre todas as outras dificuldades que o empreendedor brasileiro enfrenta diariamente, mas prefiro parar por aqui. Só o fiz para mostrar que ainda assim somos o povo mais empreendedor do mundo. É de se espantar!

E por isso, quero aplaudir, homenagear e exaltar todos os empreendedores brasileiros.

Empreender no Brasil é um ato de heroísmo. Se você é um empreendedor no Brasil, não tenho dúvidas: você é um de nossos heróis.

Gabriel Cardoso

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