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7 erros imperdoáveis na estruturação e gestão de um negócio social


Empreender é um desafio. Empreender socialmente um desafio ainda maior.

Sinto em informar: não há uma formula secreta para empreendimentos sociais bem-sucedidos e muito menos receitas que garantam o sucesso, o impacto social e os lucros almejados. O que temos a nossa disposição são as melhores práticas, o conhecimento mais atual e, claro, muita atitude para enfrentar a bela, porém dura, jornada de ser ou se tornar empreendedor social.

Conversando com empreendedores sociais e outros especialistas; lendo uma revista, artigo cientifico ou um livro de referência; e ouvindo a experiência de mentores, aceleradores e investidores, constato que alguns erros na criação e gestão de negócios sociais são recorrentes – e muitas vezes fatais. Tais erros se repetem com uma frequência acima da comum e são, assim, responsáveis por boa parte das dificuldades enfrentadas por empreendimentos sociais. Erros que a realidade não perdoa e que você, como empreendedor social ou candidato a se tornar um, não pode cometer sob hipótese alguma.

E quais são os 7 erros imperdoáveis dos empreendedores sociais?

1. Não ter na missão o impacto social desejado ou ter e não segui-la.

Negócios sociais têm duas orientações igualmente importantes: impacto social e sustentabilidade financeira. Muitas vezes as duas orientações podem entrar em conflito e, nesse momento, é a missão organizacional que garantirá o sentido do empreendimento social. Se ela não estiver muito clara e não continuar sendo perseguida, apesar das flutuações naturais de um negócio, é provável que o rótulo de social desaparecerá de sua organização.

Ao iniciar a jornada, empreendedores sociais devem ter a resposta ao “porquê” da existência do negócio para só então partir para o “o quê”, “como”, “quem”, “quando” etc. Compreender o propósito da organização e torná-lo claro na missão, bem como os valores que o regem, dará a base sólida para um modelo de negócio social de sucesso.

É claro que com a evolução do negócio novos “porquês” podem surgir, já que as organizações e o próprio mercado são muitos dinâmicos. Aceitar as mudanças de curto e médio prazo e a elas se adaptar é possível e mais fácil com a grande missão clara, bem definida e sendo permanentemente cumprida.

2. Não mensurar o impacto social gerado pela organização

É quase que instintivo mensurar os indicadores e resultados financeiros de uma organização tradicional e, por isso, os instrumentos contábeis serão naturalmente utilizados pelo empreendedor social, todavia a escolha e frequente aplicação de ferramentas que meçam o impacto social alcançado (e se a organização está, com isso, cumprindo sua missão) é condição para um verdadeiro negócio social.

A definição, acompanhamento e cumprimento de métricas de impacto social garantem a razão de ser de um negócio social, comunicam credibilidade a investidores e Estado e motivam colaboradores e parceiros.

3. Não testar a sustentabilidade financeira do modelo de negócio social.

Em empreendimentos sociais, o superávit é o meio para que se alcance o impacto social desejado; trata-se do motor da organização -- pois garantirá independência, desempenho e escala – e é a base para que se solucione um problema social e se cumpra a missão organizacional. Sem esse meio, a empresa torna-se vulnerável a oscilações financeiras e orçamentárias e ineficaz no cumprimento do impacto social almejado.

Faz-se obrigatório que o empreendedor social teste a sustentabilidade financeira do modelo de negócio social antes da efetiva implantação e ampliação, de forma a garantir que o lucro seja o motor rumo ao impacto social, e não o problema para que ele ocorra.

4. Definir de maneira equivocada o problema social.

Como citei em meu livro, um problema já está parcialmente solucionado quando é identificado de forma satisfatória.

A correta definição do problema, suas causas, consequências, o público afetado, dentre outros fatores a ele relacionados, torna-se etapa chave na estruturação de um empreendimento social.

Se o problema for definido de forma equivocada ou incompleta e se um negócio social é estruturado para solucionar este problema, logo todas as outras etapas posteriores (criação, planejamento, execução etc.) do empreendimento estarão comprometidas.

É como construir uma casa sem a adequada fundação, ou como preparar o tratamento para uma doença diferente da que se tem: o resultado não existirá ou irá gerar um efeito diferente do esperado.

5. Escolher pessoas erradas ou trabalhar isoladamente.

Uma das principais decisões que empreendedores sociais tomam durante sua jornada é a escolha das pessoas que irão cercá-lo. O ideal é que se tenha sócios, funcionários e parceiros que complementem seus conhecimentos, habilidades e atitudes, mas que tenham os mesmos valores que ele.

O empreendedor social será hábil se trouxer para seu lado os melhores, garantindo que eles compreendam e concordem com a missão do negócio social e dando a eles toda a liberdade para que possam exercer suas melhores competências.

Delegar, compartilhar e trabalhar em rede será uma tarefa fácil se os melhores estiverem ao seu lado.

6. Não se comunicar (ou se comunicar indevidamente) com o cliente beneficiário.

Nem sempre o grupo de pessoas atingido por um problema social tem consciência de que tem um problema.

Nem sempre um grupo de pessoas acredita que você realmente tem a solução para seus problemas.

Nem sempre as pessoas afetadas por um problema social confiarão na solução que seu negócio social quer propor.

O que fazer?

Ouvir – no sentido mais pleno do verbo – seu cliente-beneficiário, dialogar com ele e conduzir um alinhamento de culturas, valores, expectativas e propostas.

O problema social e a solução proposta pelo seu negócio jamais podem ser impostos a um grupo; eles devem ser construídos e desenvolvidos em estreito diálogo com o grupo diretamente afetado e que será beneficiado, ou seja, seus clientes beneficiários.

7. Não perseverar.

Normalmente o empreendedor social gastará mais tempo e dinheiro do que imaginou no início. Um modelo – ou plano – de negócio sempre se reinventará quando encontrar a realidade.

Empreender socialmente será uma corrida de longa distância com obstáculos, e o empreendedor precisa estar pronto para todas as alternâncias, variações e dificuldades que irão surgir – e de fato surgirão – no decorrer da criação, consolidação e ampliação de seu negócio social.

Muitos abandonam grandes propostas nas primeiras dificuldades e deixam de lado grandes negócios e, claro, a possibilidade de mudar a vida de muitas pessoas.

Como falei no início, não há fórmula mágica. Porém se partirmos do aprendizado dos casos de sucesso somados às experiências de fracasso, podemos aumentar nossa probabilidade de criar um negócio social bem-sucedido.

Fraternal abraço e mude, você, o mundo!

Gabriel Cardoso

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