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"A capacidade de gerar mudança pode ser treinada, melhorada, como qualquer habilidade"


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Ashoka significa, em sânscrito, "ausência de sofrimento". Ashoka também foi o nome de um imperador que governou a Índia durante o século III a.C e que é lembrado como um dos maiores inovadores sociais da história. Mas qual a relação dessa palavra com Empreendedorismo Social?

A Ashoka, organização mundial sem fins lucrativos presente em mais de 60 paises, é pioneira no campo da inovação social, trabalho e apoio aos empreendedores sociais. Trabalha com diferentes públicos comprometidos com a mudança do mundo, promovendo protagonismo, transformação e empatia em diversas esferas na sociedade.

Aqui trazemos uma entrevista exclusiva com Isabela Carvalho, da Ashoka Brasil, que nos fala um pouco sobre aspectos conceituais e práticos do empreendedorismo social, as atividades da Ashoka e nos oferece dicas e preciosas reflexões sobre o tema. Confira!

Isabela, há uma grande confusão entre os termos empreendedorismo social, responsabilidade social corporativa e negócios sociais. Como a Ashoka compreende esses três conceitos e qual é a sua área de atuação?

De fato, são termos que tendem a confundir muita gente. O empreendedorismo social é um grande leque que abarca iniciativas – com ou sem fins lucrativos – que tenham como objetivo o impacto social. Então, os negócios sociais podem ser considerados empreendimentos sociais. E o que são os negócios sociais? São projetos que tem um braço lucrativo, mas cujo core business é impacto social.

Já a responsabilidade social corporativo é o conjunto de ações de uma empresa que, voluntariamente, promovem bem estar e impacto positivo para seus públicos interno e externo. Em geral, as ações estão relacionadas ao seu ambiente de negócios e aos seus funcionários, por exemplo. É importante, no entanto, entender que a responsabilidade social deve ser visto como um processo contínuo, de melhoria da relação da empresa com seu meio, de forma que realmente entendam e coloquem em prática seus papeis no cenário social.

E como a Ashoka analisa o cenário de Empreendedorismo Social e Negócios Sociais no Brasil? Quais são as perspectivas para 2015?

O espírito empreendedor do brasileiro é inegável. Existe uma necessidade histórica de identificar soluções em momentos de crise e capacidade de se reinventar e inovar em situações que requerem criatividade e espírito de equipe. Diante disso, o empreendedorismo social é crescente. Não é à toa que hoje o Brasil é o país que mais selecionou empreendedores sociais para a rede da Ashoka (350 dos cerca de 3000 atualmente).

Claro que ainda temos algumas barreiras, como elementos legislativos e tributários, mas já existem muitos processos em andamento para de alguma forma amenizarem esses desafios e levarem mais fluidez no caminho de pessoas que querem se tornar empreendedores sociais. O Marco Civil, por exemplo, trará mudanças no cenário do setor social e possivelmente gerará ainda mais profissionalização a organização civis.

O meio acadêmico também está abraçando o empreendedorismo social de forma expressiva. Já existem disciplinas nas principais universidades​ do país exclusivamente focadas em empreendedorismo social. Isso tende a formar profissionais já conscientes da relevância do assunto e capazes de criar empreendimento de impacto sustentável.

A Ashoka possui diversos programas de incentivo à transformação e a ações de impacto social. Quais são aqueles mais procurados pelos brasileiros?

A Ashoka surgiu em 1980, quando seu fundador, o americano Bill Drayton, identificou indivíduos que tinham características muito semelhantes aos empreendedores (perseverança, capacidade de criar redes de suporte, visão de médio e longo prazo, atenção a riscos, planejamento estratégico etc), mas seus objetivos tinham fins sociais. Ou seja, tinham como objetivo amenizar ou pôr fim a um problema social. Foi então que ele cunhou o termo ‘empreendedorismo social’.

A busca e seleção de empreendedores sociais ainda é o coração da Ashoka, e foi nesse processo que fomos protagonista no desenvolvimento do ecossistema do empreendedorismo social. No entanto, hoje já temos diversos programas que têm como foco identificar e potencializar o que chamamos de ‘changemakers’ – agentes de transformação.

Posso citar alguns relevantes por aqui, como o programa Changemakers, que realiza parcerias com empresas e fundações para ativar redes através de desafios colaborativos e temáticos. Esses desafios mapeiam inovações sociais em todo o mundo.

Temos também o programa Escolas Transformadoras, que identifica centros de ensino que atuem com uma prop