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Como lidar melhor com mudanças?


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“As pessoas têm medo de mudanças. Eu tenho medo de que as coisas nunca mudem". Chico Buarque

Em sala de aula, ao falar sobre mudanças, costumo perguntar aos alunos quem ali tem medo de mudança. Assim como nós, a maioria possui, mas nem todos admitem. Quando alguém não admite continuo a explicação e pouco tempo depois peço algo simples: para que aquela pessoa mude o lugar em que está sentada. A resistência é, invariavelmente, observada na pessoa e só depois de um tempo o aluno percebe que por meio daquele comportamento negou o que havia afirmado anteriormente.

E por que estamos falando de mudança? Porque vivemos em uma sociedade que muda constantemente. Nossos hábitos, comportamentos, nossa cultura, enfim, nossa vida em sociedade vive em constante mudança. Não sou eu que estou afirmando: a modernidade líquida, metáfora criada por Zygmunt Bauman, retrata essa condição: nada se prende a um estado, tudo se comporta como um líquido em constante transformação. Outro filósofo, mais antigo, chamado Heráclito de Éfeso (540 a.C) afirmava que “nada é permanente, exceto a mudança”. Um pouco mais a frente Charles Darwin (1809-1882) cunhou sua principal máxima que dizia “não é o mais forte que sobrevive, e sim o mais adaptável a mudanças”.

Mudança é uma troca de estado e os três tipos mais comuns que enfrentamos são as mudanças culturais, organizacionais e individuais. Na primeira o que se altera são os aspectos culturais de um país, uma cidade ou um grupo; a organizacional muda a dinâmica de uma organização, como seus custos, processos e práticas; e a individual é a mudança que nos faz ser diferente daquilo que fomos até então.

E o medo da mudança? Com tranquilidade posso afirmar que se trata de um padrão relativamente comum no ser humano. Algumas pessoas o têm de forma mais marcante e outras possuem pequenos traços, mas em linhas gerais a maioria de nós o possui. Existem várias teorias para explicá-lo e uma das que mais fazem sentido é a que afirma que há uma tendência do ser humano em perceber prioritariamente aspectos negativos em relação a positivos. O que pode dar errado é visto com ênfase maior do que aquilo que pode dar certo.

Se a situação de mudança é frequente em nossas vidas e se o medo também o é, precisamos nos preparar para enfrentá-los positivamente. Sejamos empreendedores sociais ou estejamos em vias de ser, faz-se necessário conviver bem com mudanças: as mudanças no mundo, em nossas vidas e as que por vezes precisamos para nos tornar pessoas melhores. Os que não mudam estão fadados à estagnação ou ao fracasso, portanto aceitar a necessidade e inevitabilidade de mudanças, permitirá a nós ver os períodos de transição não como ameaças, mas como oportunidades.

De forma geral, três são os estilos das pessoas quando se trata de mudanças:

  • Conservador: geralmente pessoas cuidadosas, disciplinadas e que preferem a situação atual a que esteja por vir. Apreciam a previsibilidade, são cautelosas, inflexíveis, venerando tradições e práticas estabelecidas, além de por vezes concentrarem-se excessivamente em detalhes das rotinas.

  • Pragmático: normalmente pessoas práticas, flexíveis e dispostas a aceitar a mudança em alguns casos. Se a mudança parecer viável, tendem a concordar já que se preocupam mais com os resultados do que com as estruturas.

  • Deflagrador: em geral passam a impressão de desorganizados, indisciplinados, e espontâneos. Preferem mudanças que desafiem as estruturas atuais e provavelmente desafiarão premissas aceitas. Apreciam riscos e incertezas, mas são pouco práticos. Podem considerar políticas e procedimentos adotados como irrelevantes e passar a impressão de visionários.

Identificou o seu estilo? Se não, volte ao texto e identifique. Agora sim: independentemente do estilo, todos eles têm qualidades e defeitos. Cabe a você preservar a qualidade e eliminar os defeitos. Aliás, a eliminação dos defeitos será uma espécie de mudança pessoal.

Toda mudança pessoal, inclusive, passará por quatro fases:

  • Reconhecimento: momento em que se reconhece a necessidade de mudar. Brinca-se que quando um problema é identificado, metade dele já foi corrigido. Metade não, eu diria que ¼.

  • Descongelamento: etapa que consiste evitar a condição nociva (comportamento, hábito ou situação) e removê-la de sua rotina.

  • Nova situação: substituir a condição nociva ultrapassada por uma atual que seja saudável. Exemplos de substituição: comer muito > fazer atividades físicas; fumar > mascar chicletes.